sábado, 29 de janeiro de 2011

Esse som




Ao ouvir-te recuo mil anos
frágil de novo, nessa inocência,
estou rodeada por alguns dos mesmos,
sou de outra casa, mas as paredes suspiram decadência.

A mesma inquietude
que conduz ao mesmo limite final
noutra rota, noutro ponto de latitude
sou parte deste cenário desleal


quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Pobres


Somos almas em busca desse contentamento
Que erroneamente procura alegria para lá das nossas fronteiras

Somos paixões descontroladas em busca de um porto
Para baixar as velas, e simplesmente navegar





Neste sistema perdido os nossos pensamentos são um pequeno alento
Na ausência da empatia, da cumplicidade, enchemos o tempo de asneiras

Trocamos o sono por poemas, o sorriso por um olhar morto
Somos pobres nesta terra de incapazes, de cegos, por amar

domingo, 23 de janeiro de 2011

Ao cabo da rua




Vi-te por aí
A brilhar na tua bolha
Numa escapadela, um dia que saí.

No inverso do arco-íris, num beijo da lua.
A cortada que não segui, foi a minha escolha.
Ao chapéu do ilusionista pedi um sonho, ao cabo da rua.


domingo, 16 de janeiro de 2011

Banho



Os meus pés andam em  direcção a ti,
com um sorriso nos lábios ainda por calar 
e sem fachadas ou restrições foste metade daquilo que vi.

Entrei, e mergulhei no conforto desse instante,
que me fez sentir em mim, num desenho por pintar,
esse quente e seguro abrigo que me acolhe e me faz voar
nesta banheira tu e eu somos nada mais que o presente.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

nó.zip

Agarraste os meus cabelos e deste um nó cego
lá no fundo do meu peito a sufocar
pelo teu silêncio embrulhado em celofane negro
os teus braços não me agarram nem me retiram o ar
                     (...)

domingo, 9 de janeiro de 2011

Insónia



Deito-me no esquecimento
Neste vazio de mim, de tudo o que perdi
Adormeço pelo cansaço, pela entrega ao momento
Em que escorrego na dor e me lembro de ti

Minhas esmeraldas preciosas
Lançadas ao rio da minha insónia, inglória
Navegam por entre sonhos de piratas e bruxas perigosas
Flutuam nessa corrente da minha memória

domingo, 2 de janeiro de 2011

Parasita


Vivo de decibéis e energia emprestada
Alimento-me de corpos inertes sugados por fim
Em vertigem na queda por ti amparada
Nessa rota de colisão onde procuram por mim

Sou vítima da noite e rainha nos meus aposentos
Onde os sonhos são ilusões criados a partir da realidade
Sou escrava de vírgulas e acentos
Que me cobras por entre carícias de pura maldade