domingo, 8 de julho de 2012

Debaixo dos teus olhos






Debaixo dos teus olhos sou pecadora
Perdida louca nos meus próprios pensamentos
No meu emaranhado de pulsos escritos em versos


Segura na dor e no meu silêncio sou perdedora
Na ilusão da segurança cravo fundo os meus lamentos
Que me decompõe em inúteis pedaços


Debaixo dos teus olhos
Deixas escapar toda a minha fragilidade
Que se desmancha diante dos meus


Falsamente convertidos em gritos aos molhos
São mágoas que ainda minam esta tão nova verdade
Resto inerte neste sitio que me pertence mas não é meu

terça-feira, 8 de maio de 2012

Raiva



A tua bondade cega tornou-se uma pedra na minha condição
E eu fiquei de novo nesse colete de forças para não partir tudo
Esse grito que não pode fazer barulho, essas lagrimas que transportam irritação
Uma vez que quebras essa barreira o limite deixa de ter fronteiras: morre mudo

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Passado



Um desejo de uma manhã
que promete apagar mais um pedaço de memória
dessa mancha de sangue na mais pura maçã
que foi devorada pela nossa morte inglória

O meu império em ruínas
a caixa enterrada, queimada pelo vento
sendo em ti que me reconheço, cravei-te o mais profundo arrependimento

A prece de um passado tão desejado
nessa miragem que foge a correr
por entre o descontrolo amargurado
fomos punhais espetados em sonhos agora a escorrer

quinta-feira, 1 de março de 2012

Paralelos



Num escritório normal de uma cidade banal
o dia corre normalmente, num ritmo igual a tantos outros
As pessoas são habituais, e o que há para ser feito assim será

Do outro lado da estrada existe um quarto aquecido pela atmosfera orgânica
o dia desaba a cada minuto, numa cadência de desespero
A única alma que o habita encontra-se presa, e o devia ser feito ficou incompleto

O almoço no escritório é um ritual a ser cumprido sem excepção
As conversas superficiais e engraçadas entretêm os demais
Assim que o tempo o dita, cada um regressa exactamente ao lugar predefinido

Na cozinha ouvem-se ruídos, ouvem-se estilhaços
a refeição é desmembrada e em vez de comida existem vidros
o tempo aqui parou e não representa nada mais de que por termino ao que não se consegue

O dia termina e filas bem normalizadas libertam os aprisionados
Aí começa o que sobra do tempo dedicado ao sistema
Mas o cansaço já vai instalado em cada parte do corpo do individuo

No quarto o dia é apenas um fio contínuo de segundos que parece nunca acabar
e tenta-se uma outra vez tentar cravar mais fundo, só mais uma tentativa
Mas a covardia apenas deixa um mapa cravado nos pulsos do individuo

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Veneno




Presa ao linóleo a minha cabeça pende em direcção ao fim
As minhas mãos tentam afastar tudo o que cozeste na minha memória
Mas ela continua simplesmente ali presa inevitavelmente a mim

Espalhou-se um veneno que não tem retrocesso
No canto mais branco do meu coração
E a chave que dava acesso
Foi levada na corrente de toda essa desilusão

Lentamente todos os pedaços dessa peça que fora perfeita
Fica profundamente infectada
Fruto do ego, do egoísmo, do erro sequencial da dúvida rarefeita
Fica o lixo por limpar, ficam as cinzas desta queimada

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Tu

Nesta viagem onde foste o meu papel
foste canto que me protegeu
és agora uma memória que quero fechar

Porque assim o precisei
um dia tornei-te meu
foste um abraço quente um sorriso ao meu olhar

és agora parte de mim para sempre...

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Pele


Um ciclo acaba porque é interrompido pela passagem ininterrupta do tempo.

Na chama de uma vela por acender escondem-se mistérios ainda por queimar,

Em tempos de restauro olho para este céu negro e recupero as estrelas do meu alento

Onde renasço e me dispo desta pele imunda que rasgo e decido abandonar



Nesse desígnio por decifrar as contas saiem desse fio e espalham-se ao meu redor

Numa ordem aparentemente caotica, que é regida pela ordem global

Nesse puzzle, eternamente por resolver, temos uma pista a mais, sabemos melhor

Neste dia tentamos recomeçar com uma nova pele bordada cuidadosamente em vinte sete retalhos, individualmente distintos mas no seu âmago igual.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Mão

Encontrei na palma da minha mão
o futuro por escrever, e que, ainda que estivesse escrito
eu não o saberia ler

No corropio desta chama por decifrar
existe um sentimento, que por vezes não é sentido
e por outras, não é nada mais que amar

Pedidos feitos ao vento, desejos que foram chorados
na desventura de viver, o que pode não ser vivido,
enterramos um mapa de sonhos que foram desesperadamente amados

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Triângulo



Tenho vontade de correr para ti,
De saber de uma vez para onde seguir
De abrir esta porta e encontrar-te a sorrir

Tenho vontade de desamarrar
os nós cegos do meu pensamento
de conseguir respirar perto deste sentimento

O medo de não vir a ser, eu,
De virar do avesso e não me encontrar nesse lugar
De simplesmente não conseguir regressar

Ainda que te tenha guardado
Num lugar central dentro de mim
Não quero ver, o que nunca chegou ao fim