Num escritório normal de uma cidade banal
o dia corre normalmente, num ritmo igual a tantos outros
As pessoas são habituais, e o que há para ser feito assim será
Do outro lado da estrada existe um quarto aquecido pela atmosfera orgânica
o dia desaba a cada minuto, numa cadência de desespero
A única alma que o habita encontra-se presa, e o devia ser feito ficou incompleto
O almoço no escritório é um ritual a ser cumprido sem excepção
As conversas superficiais e engraçadas entretêm os demais
Assim que o tempo o dita, cada um regressa exactamente ao lugar predefinido
Na cozinha ouvem-se ruídos, ouvem-se estilhaços
a refeição é desmembrada e em vez de comida existem vidros
o tempo aqui parou e não representa nada mais de que por termino ao que não se consegue
O dia termina e filas bem normalizadas libertam os aprisionados
Aí começa o que sobra do tempo dedicado ao sistema
Mas o cansaço já vai instalado em cada parte do corpo do individuo
No quarto o dia é apenas um fio contínuo de segundos que parece nunca acabar
e tenta-se uma outra vez tentar cravar mais fundo, só mais uma tentativa
Mas a covardia apenas deixa um mapa cravado nos pulsos do individuo