sexta-feira, 22 de abril de 2011

Triângulo



Tenho vontade de correr para ti,
De saber de uma vez para onde seguir
De abrir esta porta e encontrar-te a sorrir

Tenho vontade de desamarrar
os nós cegos do meu pensamento
de conseguir respirar perto deste sentimento

O medo de não vir a ser, eu,
De virar do avesso e não me encontrar nesse lugar
De simplesmente não conseguir regressar

Ainda que te tenha guardado
Num lugar central dentro de mim
Não quero ver, o que nunca chegou ao fim

quinta-feira, 21 de abril de 2011

por fim

E por fim chegaste para me abraçar,
depois de toda a tormenta e de todas as nuvens passarem.
Vens com a chuva, foi com ela que eu parti.

O teu ser imutável acolhe-me nesse teu olhar
Que vê uma imagem que restou depois de as sombras acabarem
Foste invisível nessa partilha da qual eu resisti

És o meu bailarino que brilha no escuro
do meu céu estrelado decomposto em sonhos irreais
Tornado magia, no meio dos escombros, o carbono puro
fez de ti diamante encontrado nestes dias banais

domingo, 10 de abril de 2011

Fala


Fala-me de tudo o que aprendeste
nestes meses de experiência
conta pelos dedos todas as lições que perdeste
entre sonhos derretidos e fugas em consciência

Fala comigo e faz-me entender
todas estas mudanças, no mundo
onde cada um se foca no umbigo, sem querer ver
que a cada dia se cava mais, um buraco sem fundo

Tenta explicar-me como compro sapatos que me causam dores
com o suficiente para alimentar uma aldeia.
Como se tornam os martires opressores,
como se muda a vida de alguém com uma simples ideia.

Conta-me como podemos ser salvos
e não sermos dominados
como vivemos neste silêncio que nos torna alvos
deste mundo em ruínas, ao qual estamos colados