terça-feira, 15 de março de 2011

Um quarto



Há um quarto escondido no tumulto da cidade
onde as estrelas criam a magia da noite
espalhada pelo chão, iluminando restos dessa identidade

Onde soa a casa e cheira a queques caseiros de maçã,
onde somos protegidos por esse conforto invisível
que nos embala e nos faz sonhar com uma nova manhã

Lá fora, a janela deixa vislumbrar esse corpo um dia meu
que descansa ignorando toda essa névoa de incerteza risível
esboçando um sorriso inocente e perfeito, que afinal não se perdeu

Nesta noite de Março perdida no tempo, penso na chave e se ainda existe...
Desejei ser o que já fui, reescrevendo o que antes foi apagado,
algures num quarto no tumulto da cidade, o sonho é a vontade que subsiste.

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