Construímos muralhas no nosso interior
Pela ansiedade de que o salto nos vá quebrar
Tranco memórias que invocam dor,
protegendo o embate, fecho o sentimento ao meu olhar.
Desenho uma linha de tempo direccionada
Onde os dias avançam presos por molas a oscilar
Pêndulos, num sistema que tende a desfasar
Pião desgovernado em rota de colisão
Girando em torno de si mesmo, prestes a parar
Nesse chão de madeira sob o carvão
a arder, a minha vontade em perfeita combustão
Sou parte da mecânica desta engrenagem
Num contínuo de rotações impessoais
Agredidos pelo impacto da última paragem
Somos caos instalado por falta de condições iniciais.
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